Prática clínica
Relatório, laudo, atestado, declaração ou parecer: qual documento psicológico usar?
Entenda quando usar declaração, atestado psicológico, relatório, laudo ou parecer. Veja exemplos, diferenças, cuidados do CFP e como trabalhar com modelos e assinatura digital.
Entenda quando usar declaração, atestado psicológico, relatório, laudo ou parecer. Veja exemplos, diferenças, cuidados do CFP e como trabalhar com modelos e assinatura digital.

Sirlene Xavier
Psicóloga clínica
·

Uma paciente precisa comprovar no trabalho que esteve em uma sessão.
Outra pede “um laudo” porque seu psiquiatra gostaria de receber informações sobre o acompanhamento.
A escola solicita informações sobre uma criança atendida.
Um advogado pede um documento relacionado a uma situação discutida durante a psicoterapia.
Em todos esses exemplos existe uma solicitação de documento psicológico.
Mas o documento correto não é necessariamente aquele que a pessoa pediu pelo nome.
Declaração, atestado psicológico, relatório, laudo e parecer possuem finalidades diferentes.
A Resolução CFP nº 06/2019 estabelece regras para a elaboração desses documentos, e o Manual Orientativo de Registro e Elaboração de Documentos Psicológicos, publicado pelo Conselho Federal de Psicologia em 2025, aprofunda essas orientações com exemplos e recomendações práticas.
Antes de abrir um modelo ou começar a escrever, existe uma pergunta muito mais importante:
O que este documento precisa comunicar — e para qual finalidade?
Essa pergunta ajuda a escolher a modalidade adequada, selecionar apenas as informações necessárias e evitar documentos excessivos ou tecnicamente incompatíveis com aquilo que foi realizado.
A diferença entre os documentos em um minuto
Documento | Use principalmente quando precisa... |
|---|---|
Declaração | comprovar atendimento, comparecimento ou acompanhamento |
Atestado psicológico | certificar uma condição psicológica fundamentada em avaliação psicológica |
Relatório psicológico | comunicar o trabalho realizado, sua evolução, procedimentos ou encaminhamentos |
Laudo psicológico | apresentar resultados e conclusões decorrentes de uma avaliação psicológica |
Parecer psicológico | responder tecnicamente a uma questão-problema ou analisar um documento ou tema psicológico |
Duas diferenças resolvem muitas das dúvidas:
Declaração não é atestado.
E:
Relatório não é laudo.
Mas entender essa tabela é apenas o primeiro passo.
Depois de identificar a modalidade correta, ainda é necessário elaborar o documento com uma estrutura adequada, selecionar as informações pertinentes, revisar o conteúdo, assinar, entregar e manter os registros relacionados àquele processo organizados.
Vamos por partes.
1. Declaração psicológica: quando a informação é objetiva
A declaração é utilizada para registrar informações objetivas relacionadas à prestação do serviço psicológico.
Pode informar, por exemplo:
que a pessoa compareceu a determinado atendimento;
que está ou esteve em acompanhamento psicológico;
o período desse acompanhamento;
dias e horários dos atendimentos.
Um cuidado particularmente importante é que a declaração não deve apresentar sintomas, situações ou estados psicológicos.
Exemplo
Imagine que uma paciente precise comprovar para a empresa que esteve em atendimento às 14h de determinada terça-feira.
Se essa é toda a finalidade da solicitação, não existe motivo para informar diagnóstico, conteúdo discutido na sessão ou outras informações clínicas.
Documento mais adequado: declaração.
Uma forma simples de pensar é:
Se preciso apenas comprovar que um atendimento ou acompanhamento aconteceu, provavelmente estou diante de uma declaração.
E isso mostra um princípio que vale para praticamente todos os documentos psicológicos:
mais informação não significa um documento melhor.
O ideal é comunicar aquilo que a finalidade realmente exige.
2. Atestado psicológico: quando é necessário certificar uma condição psicológica
O atestado psicológico não é simplesmente uma declaração com mais detalhes.
Ele possui outra finalidade.
É utilizado para certificar determinada situação, estado ou funcionamento psicológico, desde que exista fundamentação decorrente de avaliação psicológica que sustente aquilo que está sendo afirmado.
Conforme o contexto, pode estar relacionado a situações como:
justificar determinado impedimento;
informar aptidão ou inaptidão para uma atividade;
indicar necessidade de afastamento ou dispensa relacionada a uma condição psicológica avaliada.
“Mas eu faço psicoterapia. Posso emitir um atestado?”
O ponto central não é simplesmente existir ou não uma psicoterapia em andamento.
É existir fundamentação técnica suficiente para aquilo que será afirmado.
Acompanhar uma pessoa não significa automaticamente possuir elementos para certificar qualquer condição psicológica solicitada por ela, por uma empresa ou por outra instituição.
O profissional precisa avaliar se possui condições técnicas para produzir aquela afirmação.
Declaração ou atestado?
A pessoa precisa apenas provar que esteve na sessão?
Declaração.
É necessário certificar uma condição psicológica efetivamente avaliada relacionada a determinada finalidade?
Pode haver indicação de atestado psicológico.
A diferença está no que está sendo afirmado.
Atestado psicológico necessariamente abona falta?
Não.
O psicólogo pode atestar tecnicamente aquilo que está dentro de sua competência profissional.
O efeito administrativo daquele documento — como o abono de uma falta — pode depender da legislação, das normas da instituição, da relação de trabalho ou de outras regras aplicáveis ao caso.
Por isso, é importante não prometer ao paciente um resultado administrativo que não depende exclusivamente do psicólogo.
A responsabilidade profissional está na fundamentação do que foi atestado.
3. Relatório psicológico: para comunicar um trabalho realizado
O relatório psicológico possui caráter técnico-científico e informativo.
Pode ser utilizado para comunicar um trabalho concluído ou ainda em andamento e apresentar, conforme a finalidade:
informações relevantes sobre o acompanhamento;
procedimentos realizados;
evolução;
orientações;
recomendações;
encaminhamentos.
Pode aparecer, por exemplo, na comunicação com outro profissional de saúde, uma equipe multiprofissional, escola ou instituição.
Exemplo: encaminhamento para psiquiatra
Imagine uma paciente em psicoterapia que apresenta piora importante do sono, aumento de ansiedade e prejuízos em atividades cotidianas.
Após conversar com ela, a psicóloga realiza um encaminhamento para avaliação psiquiátrica.
Um relatório psicológico pode contextualizar o acompanhamento e fornecer ao outro profissional as informações necessárias para aquela finalidade.
Mas isso não significa reproduzir todo o conteúdo das sessões.
O documento deve se apoiar nos registros profissionais e selecionar apenas aquilo que é pertinente à comunicação que está sendo realizada.
Uma boa regra é:
O melhor relatório não é o que contém mais informações. É o que contém as informações necessárias para sua finalidade.
4. Laudo psicológico: quando existe um processo de avaliação psicológica
O laudo psicológico está relacionado aos resultados de um processo de avaliação psicológica.
Ele apresenta, de maneira fundamentada e estruturada, elementos como:
demanda que originou a avaliação;
procedimentos realizados;
análise das informações obtidas;
fundamentação técnica;
conclusões produzidas.
Uma diferenciação útil é:
Relatório: comunica informações relacionadas ao trabalho psicológico realizado ou em andamento.
Laudo: comunica resultados e conclusões produzidos a partir de um processo de avaliação psicológica.
“Meu paciente pediu um laudo da terapia”
Antes de começar a escrever, pergunte:
Para que esse documento será utilizado?
Talvez um psiquiatra queira compreender alguns aspectos da evolução do acompanhamento.
Nesse caso, um relatório pode fazer mais sentido.
Talvez uma universidade queira apenas comprovar que a pessoa está em acompanhamento psicológico.
Uma declaração pode ser suficiente.
Se existir uma demanda específica que exija avaliação psicológica e esse processo tiver efetivamente sido realizado, pode haver indicação de laudo.
O nome usado pelo paciente, escola, empresa, advogado ou médico não determina a modalidade técnica que o psicólogo deve emitir.
É a finalidade e o trabalho efetivamente realizado que orientam essa decisão.
5. Atestado ou laudo psicológico?
Os dois podem estar relacionados a um processo de avaliação psicológica.
Mas respondem a necessidades diferentes.
Atestado psicológico
Comunica de maneira mais sintética determinada condição psicológica avaliada e pertinente à finalidade do documento.
Laudo psicológico
Apresenta de forma mais ampla o processo de avaliação psicológica, incluindo análise e conclusões.
Isso também se relaciona ao princípio de comunicar somente aquilo que é necessário.
Se uma informação sintética atende adequadamente à finalidade, não é necessário produzir um documento mais extenso e expor informações adicionais sem necessidade.
6. Parecer psicológico: quando é necessário responder a uma questão técnica
O parecer psicológico possui outra lógica.
Ele é utilizado quando o profissional é chamado a analisar tecnicamente uma questão-problema relacionada à Psicologia.
Também pode envolver análise de um documento produzido em determinado contexto.
Não corresponde, necessariamente, a uma avaliação psicológica da pessoa citada na situação.
Exemplo
Imagine uma psicóloga atuando como assistente técnica em um processo judicial.
Ela recebe um laudo e precisa analisar aspectos como:
fundamentação apresentada;
coerência entre procedimentos e conclusões;
metodologia utilizada;
questões técnicas pertinentes.
Essa análise pode resultar em um parecer psicológico, desde que o profissional possua competência para realizá-la e a atividade esteja dentro de sua atuação.
7. Qual documento escolher? Use este fluxo
Quando surgir uma solicitação, não comece procurando um arquivo chamado “modelo de documento psicológico”.
Comece pela finalidade.

Observe que o fluxo não começa pela pergunta:
“Qual modelo eu tenho salvo no computador?”
Ele começa por:
“Qual é a finalidade?”
O modelo entra depois.
E essa ordem é importante.
8. Casos comuns na prática
Vamos aplicar a lógica a algumas situações frequentes.
“Meu paciente precisa provar que veio à sessão”
Se a necessidade é apenas comprovar comparecimento:
Declaração.
“A empresa pediu comprovação de que ele faz terapia”
Se a finalidade é somente informar que existe acompanhamento psicológico:
Declaração.
Não é necessário acrescentar diagnóstico ou detalhes clínicos apenas para tornar o documento “mais completo”.
“Existe uma condição psicológica que está impedindo temporariamente determinada atividade”
Pode haver indicação de:
Atestado psicológico, desde que exista fundamentação técnica suficiente para sustentar a afirmação.
“O psiquiatra pediu informações sobre o acompanhamento”
Em muitos casos:
Relatório psicológico.
O conteúdo deve ser delimitado de acordo com a finalidade da comunicação.
“A escola quer informações sobre uma criança em acompanhamento”
Dependendo da finalidade, pode haver indicação de:
Relatório psicológico.
Isso não significa entregar todo o conteúdo registrado durante o acompanhamento.
O cuidado com sigilo continua existindo.
“O plano de saúde pediu informações para continuidade do atendimento”
Dependendo da solicitação e das informações que realmente precisam ser comunicadas:
Relatório psicológico pode ser uma possibilidade.
“Realizei uma avaliação neuropsicológica e preciso apresentar seus resultados”
Laudo psicológico.
“Um advogado pediu um laudo contando tudo o que aconteceu na terapia”
Primeiro é preciso compreender exatamente o que está sendo solicitado e para qual finalidade.
Uma psicoterapia não se transforma retroativamente em uma avaliação psicológica pericial apenas porque posteriormente surgiu uma demanda judicial.
O profissional precisa delimitar aquilo que possui condições técnicas e éticas de afirmar e escolher o documento compatível com o trabalho que efetivamente realizou.
“Preciso analisar tecnicamente o laudo produzido por outro psicólogo”
Quando houver competência técnica e a atividade estiver dentro da atuação profissional:
Parecer psicológico.
9. Escolheu o documento? Agora vem outra parte importante: estruturar corretamente
Depois de decidir qual modalidade utilizar, começa outra dificuldade bastante comum:
como transformar essa decisão em um documento bem estruturado?
É nesse momento que modelos podem ser muito úteis.
Uma declaração não tem a mesma estrutura de um laudo.
Um relatório não deveria ser simplesmente uma declaração mais longa.
E um parecer responde a uma lógica diferente da utilizada em um documento decorrente de avaliação psicológica.
Utilizar um modelo adequado ajuda a:
partir de uma estrutura compatível com o documento;
lembrar elementos importantes;
manter consistência entre documentos;
reduzir o trabalho repetitivo de formatação;
evitar começar sempre de uma página completamente em branco.
Mas existe uma distinção essencial:
modelo não é conteúdo pronto.
Ele organiza o caminho.
Quem decide o que pode e deve ser escrito continua sendo o psicólogo.
Essa é inclusive uma boa maneira de utilizar modelos na prática:

Primeiro escolha tecnicamente o documento → depois utilize o modelo para estruturar a escrita.
Nunca o contrário.
10. Antes de preencher qualquer modelo, entenda a solicitação
Antes de começar a escrever, esclareça:
quem solicitou o documento;
quem será o destinatário;
por que ele está sendo solicitado;
qual decisão ou necessidade ele deverá subsidiar;
quais informações realmente precisam ser apresentadas.
Isso ajuda a evitar documentos genéricos, excessivamente longos ou que exponham informações sem necessidade.
Também evita uma situação bastante comum:
a pessoa solicita “um laudo”, o psicólogo abre um modelo de laudo e começa a preenchê-lo antes de descobrir que uma simples declaração resolveria a demanda.
A estrutura deve servir à decisão técnica.
Não substituí-la.
11. Preciso colocar diagnóstico ou CID?
Não automaticamente.
A presença de diagnóstico ou código da Classificação Internacional de Doenças não é obrigatória em todo documento psicológico.
Sua inclusão depende de fatores como:
modalidade documental;
finalidade;
necessidade daquela informação;
fundamento técnico existente;
cuidados relacionados ao sigilo.
Na declaração, por exemplo, sintomas, situações ou estados psicológicos não devem ser apresentados.
Uma regra prática importante é:
não coloque uma informação clínica simplesmente porque o modelo possui espaço para preenchê-la.
O campo disponível não determina a necessidade da informação.
A finalidade do documento é que deve orientar essa escolha.
12. Um bom modelo não deve induzir o psicólogo a escrever mais do que precisa
Esse é um cuidado importante quando se fala em modelos de documentos.
Imagine um template com dezenas de campos obrigatórios.
O profissional pode começar a preencher tudo simplesmente porque os campos existem.
O resultado pode ser um documento maior, mais invasivo e menos adequado do que o necessário.
Por isso, modelos úteis precisam funcionar como estrutura de apoio, não como formulários que pensam pelo profissional.
Eles podem ajudar a lembrar uma organização esperada.
Mas devem continuar permitindo que o psicólogo adapte, exclua, desenvolva e revise o conteúdo segundo a finalidade real daquele documento.
Na Fluven, essa é a lógica dos modelos de declaração, atestado psicológico, relatório, laudo e parecer: você parte da estrutura correspondente ao documento escolhido e edita o conteúdo de acordo com o caso.
A plataforma ajuda a organizar a parte operacional.
A análise, a escrita e a responsabilidade técnica continuam sendo do psicólogo.
13. O documento precisa conversar com os seus registros profissionais
Existe uma etapa que às vezes fica esquecida quando o foco está apenas em “escrever o documento”.
Aquilo que será comunicado precisa estar apoiado no trabalho efetivamente realizado e nos registros profissionais pertinentes.
Pense em um relatório elaborado meses depois de diferentes sessões.
Se os registros do acompanhamento estão espalhados entre um caderno, arquivos no computador, mensagens e documentos em pastas diferentes, reconstruir o histórico pode se tornar mais difícil.
Quando prontuário e documentos ficam relacionados ao mesmo paciente, o processo tende a ser mais organizado:
registro do acompanhamento → elaboração do documento → documento emitido → histórico daquele paciente
Isso não significa copiar o prontuário para dentro do relatório.
São coisas diferentes.
O prontuário sustenta o histórico do trabalho.
O documento comunica somente o que é pertinente à sua finalidade.
Essa separação é importante.
14. Relatório e laudo exigem atenção à devolutiva
O processo não termina no momento em que o documento vira PDF.
Na entrega de relatório e laudo psicológico, a Resolução CFP nº 06/2019 prevê pelo menos uma entrevista devolutiva envolvendo pessoa, grupo, instituição ou responsáveis relacionados ao processo.
Quando essa devolutiva não puder acontecer, o motivo deve ser registrado.
Isso reforça uma ideia importante:
emitir um documento psicológico não é apenas produzir um arquivo.
Existe um processo profissional relacionado à elaboração, comunicação, entrega e registro.
15. Registre também a entrega
É recomendável manter informações que permitam saber:
qual documento foi produzido;
quando foi emitido;
para quem foi entregue;
como ocorreu essa entrega.
Em documentos digitais, o próprio fluxo eletrônico pode facilitar essa organização.
Em vez de ter:
prontuário em um sistema → documento no Word → PDF na pasta Downloads → assinatura em outro aplicativo → envio por e-mail → cópia em outra pasta
é possível manter as etapas mais próximas umas das outras.
Esse talvez seja um dos benefícios menos visíveis da digitalização:
não apenas produzir o documento mais rápido, mas conseguir recuperar depois o que foi produzido e a qual paciente aquele documento pertence.
16. Documentos psicológicos podem ter assinatura digital?
Sim.
O Manual Orientativo do CFP publicado em 2025 trata da assinatura eletrônica de documentos e aborda as normas aplicáveis ao tema.
O mecanismo utilizado precisa observar os requisitos legais pertinentes, especialmente em relação à autenticidade e integridade do documento.
Na prática, isso permite substituir processos como:
editar → imprimir → assinar à mão → escanear → transformar novamente em PDF → enviar
por um fluxo digital adequado.
E existe um ganho importante além da conveniência:
a assinatura deixa de ser uma etapa desconectada da elaboração do documento.
Na Fluven, o profissional pode elaborar o documento a partir do modelo, revisar o conteúdo e realizar a assinatura digital dentro do próprio fluxo da plataforma.
Quando houver documentos que também precisem da assinatura eletrônica de pacientes ou outras pessoas, a Fluven permite enviá-los para esses assinantes.
O objetivo não é eliminar a revisão profissional.
É eliminar etapas operacionais que não acrescentam qualidade técnica ao documento.
17. O fluxo ideal não termina na assinatura
Imagine duas formas de trabalhar.

É aqui que a tecnologia realmente começa a fazer sentido.
Não porque “escreve pelo psicólogo”.
Mas porque diminui a quantidade de pequenas tarefas ao redor de uma atividade que já exige atenção técnica.
18. Modelos ajudam — desde que continuem sendo modelos
Vale reforçar.
Ter acesso a um modelo de laudo não significa possuir automaticamente os elementos necessários para emitir um laudo.
Ter um modelo de atestado não significa que qualquer acompanhamento sustenta aquilo que será atestado.
Ter um campo para diagnóstico não significa que o diagnóstico precisa aparecer.
Um documento psicológico de qualidade precisa deixar claro, conforme a modalidade:
por que foi produzido;
qual demanda está sendo respondida;
quais informações sustentam sua elaboração;
o que foi efetivamente realizado;
quais conclusões podem ser tecnicamente sustentadas;
quais informações são necessárias para aquela finalidade.
O modelo ajuda com a estrutura.
O conteúdo exige julgamento profissional.
Essa distinção também é importante para avaliar qualquer ferramenta utilizada para produzir documentos psicológicos.
Desconfie de uma solução que trate documentos técnicos como textos genéricos que podem ser emitidos automaticamente sem análise.
O trabalho documental faz parte da prática profissional.
A tecnologia deve organizar esse trabalho.
Não substituí-lo.
19. Como a Fluven organiza esse processo

É nesse ponto que a Fluven entra.
Não para decidir se seu paciente precisa de uma declaração ou de um atestado.
Não para concluir uma avaliação psicológica por você.
E não para transformar um modelo em documento válido apenas porque alguns campos foram preenchidos.
A função da plataforma é organizar o processo que acontece depois da sua decisão profissional.
Na prática, o fluxo pode ser:
1. Escolha o documento adequado
Declaração, atestado psicológico, relatório, laudo ou parecer.
2. Parta de um modelo correspondente
Em vez de procurar arquivos antigos, copiar documentos anteriores ou começar novamente do zero, você utiliza uma estrutura pronta como ponto de partida.
3. Adapte ao caso
Revise cada informação e escreva aquilo que efetivamente pode ser sustentado naquele contexto.
4. Revise
Confira finalidade, linguagem, informações apresentadas, identificação e demais elementos necessários antes de emitir.
5. Assine digitalmente
O documento pode ser assinado dentro do próprio fluxo, sem precisar imprimir e escanear.
6. Envie para outras assinaturas quando necessário
Nos documentos em que houver necessidade de assinatura de paciente ou de outras pessoas, o fluxo de assinatura também pode acontecer eletronicamente.
7. Mantenha o documento junto ao histórico daquele paciente
Depois de emitido, o documento fica relacionado ao prontuário do paciente, em vez de virar mais um arquivo perdido entre pastas e aplicativos diferentes.
A lógica é simples:
a Fluven organiza a estrutura e o fluxo.
O psicólogo continua responsável pela decisão e pelo conteúdo.
20. Checklist antes de emitir qualquer documento psicológico
Antes de finalizar, confira:
Sobre a finalidade
Sei exatamente por que este documento está sendo produzido?
Sei quem irá recebê-lo?
Escolhi a modalidade adequada para essa finalidade?
Sobre o conteúdo
Tenho fundamento para aquilo que estou afirmando?
Incluí somente as informações necessárias?
Existe algum conteúdo íntimo que poderia ser retirado sem prejudicar a finalidade?
Diferenciei informações relatadas de conclusões profissionais?
O documento é compatível com meus registros?
Sobre a modalidade
A estrutura corresponde ao tipo de documento?
Estou usando um relatório onde deveria ser um laudo ou vice-versa?
Estou colocando conteúdo clínico em uma declaração?
Existe realmente fundamento de avaliação para aquilo que está sendo atestado?
Sobre a finalização
Nome, CRP, local e data estão corretos?
A assinatura está correta?
Preciso indicar prazo de validade?
A entrega será registrada?
Se for relatório ou laudo, a devolutiva foi organizada?
Uma cópia ficará adequadamente relacionada aos registros daquele paciente?
Esse checklist provavelmente evita mais problemas do que simplesmente guardar cinco arquivos chamados:
“MODELO LAUDO FINAL.docx”
“MODELO LAUDO FINAL 2.docx”
“MODELO LAUDO NOVO.docx”
“MODELO LAUDO NOVO CERTO.docx”
e
“MODELO LAUDO AGORA VAI.docx”.
Uma paciente precisa comprovar no trabalho que esteve em uma sessão.
Outra pede “um laudo” porque seu psiquiatra gostaria de receber informações sobre o acompanhamento.
A escola solicita informações sobre uma criança atendida.
Um advogado pede um documento relacionado a uma situação discutida durante a psicoterapia.
Em todos esses exemplos existe uma solicitação de documento psicológico.
Mas o documento correto não é necessariamente aquele que a pessoa pediu pelo nome.
Declaração, atestado psicológico, relatório, laudo e parecer possuem finalidades diferentes.
A Resolução CFP nº 06/2019 estabelece regras para a elaboração desses documentos, e o Manual Orientativo de Registro e Elaboração de Documentos Psicológicos, publicado pelo Conselho Federal de Psicologia em 2025, aprofunda essas orientações com exemplos e recomendações práticas.
Antes de abrir um modelo ou começar a escrever, existe uma pergunta muito mais importante:
O que este documento precisa comunicar — e para qual finalidade?
Essa pergunta ajuda a escolher a modalidade adequada, selecionar apenas as informações necessárias e evitar documentos excessivos ou tecnicamente incompatíveis com aquilo que foi realizado.
A diferença entre os documentos em um minuto
Documento | Use principalmente quando precisa... |
|---|---|
Declaração | comprovar atendimento, comparecimento ou acompanhamento |
Atestado psicológico | certificar uma condição psicológica fundamentada em avaliação psicológica |
Relatório psicológico | comunicar o trabalho realizado, sua evolução, procedimentos ou encaminhamentos |
Laudo psicológico | apresentar resultados e conclusões decorrentes de uma avaliação psicológica |
Parecer psicológico | responder tecnicamente a uma questão-problema ou analisar um documento ou tema psicológico |
Duas diferenças resolvem muitas das dúvidas:
Declaração não é atestado.
E:
Relatório não é laudo.
Mas entender essa tabela é apenas o primeiro passo.
Depois de identificar a modalidade correta, ainda é necessário elaborar o documento com uma estrutura adequada, selecionar as informações pertinentes, revisar o conteúdo, assinar, entregar e manter os registros relacionados àquele processo organizados.
Vamos por partes.
1. Declaração psicológica: quando a informação é objetiva
A declaração é utilizada para registrar informações objetivas relacionadas à prestação do serviço psicológico.
Pode informar, por exemplo:
que a pessoa compareceu a determinado atendimento;
que está ou esteve em acompanhamento psicológico;
o período desse acompanhamento;
dias e horários dos atendimentos.
Um cuidado particularmente importante é que a declaração não deve apresentar sintomas, situações ou estados psicológicos.
Exemplo
Imagine que uma paciente precise comprovar para a empresa que esteve em atendimento às 14h de determinada terça-feira.
Se essa é toda a finalidade da solicitação, não existe motivo para informar diagnóstico, conteúdo discutido na sessão ou outras informações clínicas.
Documento mais adequado: declaração.
Uma forma simples de pensar é:
Se preciso apenas comprovar que um atendimento ou acompanhamento aconteceu, provavelmente estou diante de uma declaração.
E isso mostra um princípio que vale para praticamente todos os documentos psicológicos:
mais informação não significa um documento melhor.
O ideal é comunicar aquilo que a finalidade realmente exige.
2. Atestado psicológico: quando é necessário certificar uma condição psicológica
O atestado psicológico não é simplesmente uma declaração com mais detalhes.
Ele possui outra finalidade.
É utilizado para certificar determinada situação, estado ou funcionamento psicológico, desde que exista fundamentação decorrente de avaliação psicológica que sustente aquilo que está sendo afirmado.
Conforme o contexto, pode estar relacionado a situações como:
justificar determinado impedimento;
informar aptidão ou inaptidão para uma atividade;
indicar necessidade de afastamento ou dispensa relacionada a uma condição psicológica avaliada.
“Mas eu faço psicoterapia. Posso emitir um atestado?”
O ponto central não é simplesmente existir ou não uma psicoterapia em andamento.
É existir fundamentação técnica suficiente para aquilo que será afirmado.
Acompanhar uma pessoa não significa automaticamente possuir elementos para certificar qualquer condição psicológica solicitada por ela, por uma empresa ou por outra instituição.
O profissional precisa avaliar se possui condições técnicas para produzir aquela afirmação.
Declaração ou atestado?
A pessoa precisa apenas provar que esteve na sessão?
Declaração.
É necessário certificar uma condição psicológica efetivamente avaliada relacionada a determinada finalidade?
Pode haver indicação de atestado psicológico.
A diferença está no que está sendo afirmado.
Atestado psicológico necessariamente abona falta?
Não.
O psicólogo pode atestar tecnicamente aquilo que está dentro de sua competência profissional.
O efeito administrativo daquele documento — como o abono de uma falta — pode depender da legislação, das normas da instituição, da relação de trabalho ou de outras regras aplicáveis ao caso.
Por isso, é importante não prometer ao paciente um resultado administrativo que não depende exclusivamente do psicólogo.
A responsabilidade profissional está na fundamentação do que foi atestado.
3. Relatório psicológico: para comunicar um trabalho realizado
O relatório psicológico possui caráter técnico-científico e informativo.
Pode ser utilizado para comunicar um trabalho concluído ou ainda em andamento e apresentar, conforme a finalidade:
informações relevantes sobre o acompanhamento;
procedimentos realizados;
evolução;
orientações;
recomendações;
encaminhamentos.
Pode aparecer, por exemplo, na comunicação com outro profissional de saúde, uma equipe multiprofissional, escola ou instituição.
Exemplo: encaminhamento para psiquiatra
Imagine uma paciente em psicoterapia que apresenta piora importante do sono, aumento de ansiedade e prejuízos em atividades cotidianas.
Após conversar com ela, a psicóloga realiza um encaminhamento para avaliação psiquiátrica.
Um relatório psicológico pode contextualizar o acompanhamento e fornecer ao outro profissional as informações necessárias para aquela finalidade.
Mas isso não significa reproduzir todo o conteúdo das sessões.
O documento deve se apoiar nos registros profissionais e selecionar apenas aquilo que é pertinente à comunicação que está sendo realizada.
Uma boa regra é:
O melhor relatório não é o que contém mais informações. É o que contém as informações necessárias para sua finalidade.
4. Laudo psicológico: quando existe um processo de avaliação psicológica
O laudo psicológico está relacionado aos resultados de um processo de avaliação psicológica.
Ele apresenta, de maneira fundamentada e estruturada, elementos como:
demanda que originou a avaliação;
procedimentos realizados;
análise das informações obtidas;
fundamentação técnica;
conclusões produzidas.
Uma diferenciação útil é:
Relatório: comunica informações relacionadas ao trabalho psicológico realizado ou em andamento.
Laudo: comunica resultados e conclusões produzidos a partir de um processo de avaliação psicológica.
“Meu paciente pediu um laudo da terapia”
Antes de começar a escrever, pergunte:
Para que esse documento será utilizado?
Talvez um psiquiatra queira compreender alguns aspectos da evolução do acompanhamento.
Nesse caso, um relatório pode fazer mais sentido.
Talvez uma universidade queira apenas comprovar que a pessoa está em acompanhamento psicológico.
Uma declaração pode ser suficiente.
Se existir uma demanda específica que exija avaliação psicológica e esse processo tiver efetivamente sido realizado, pode haver indicação de laudo.
O nome usado pelo paciente, escola, empresa, advogado ou médico não determina a modalidade técnica que o psicólogo deve emitir.
É a finalidade e o trabalho efetivamente realizado que orientam essa decisão.
5. Atestado ou laudo psicológico?
Os dois podem estar relacionados a um processo de avaliação psicológica.
Mas respondem a necessidades diferentes.
Atestado psicológico
Comunica de maneira mais sintética determinada condição psicológica avaliada e pertinente à finalidade do documento.
Laudo psicológico
Apresenta de forma mais ampla o processo de avaliação psicológica, incluindo análise e conclusões.
Isso também se relaciona ao princípio de comunicar somente aquilo que é necessário.
Se uma informação sintética atende adequadamente à finalidade, não é necessário produzir um documento mais extenso e expor informações adicionais sem necessidade.
6. Parecer psicológico: quando é necessário responder a uma questão técnica
O parecer psicológico possui outra lógica.
Ele é utilizado quando o profissional é chamado a analisar tecnicamente uma questão-problema relacionada à Psicologia.
Também pode envolver análise de um documento produzido em determinado contexto.
Não corresponde, necessariamente, a uma avaliação psicológica da pessoa citada na situação.
Exemplo
Imagine uma psicóloga atuando como assistente técnica em um processo judicial.
Ela recebe um laudo e precisa analisar aspectos como:
fundamentação apresentada;
coerência entre procedimentos e conclusões;
metodologia utilizada;
questões técnicas pertinentes.
Essa análise pode resultar em um parecer psicológico, desde que o profissional possua competência para realizá-la e a atividade esteja dentro de sua atuação.
7. Qual documento escolher? Use este fluxo
Quando surgir uma solicitação, não comece procurando um arquivo chamado “modelo de documento psicológico”.
Comece pela finalidade.

Observe que o fluxo não começa pela pergunta:
“Qual modelo eu tenho salvo no computador?”
Ele começa por:
“Qual é a finalidade?”
O modelo entra depois.
E essa ordem é importante.
8. Casos comuns na prática
Vamos aplicar a lógica a algumas situações frequentes.
“Meu paciente precisa provar que veio à sessão”
Se a necessidade é apenas comprovar comparecimento:
Declaração.
“A empresa pediu comprovação de que ele faz terapia”
Se a finalidade é somente informar que existe acompanhamento psicológico:
Declaração.
Não é necessário acrescentar diagnóstico ou detalhes clínicos apenas para tornar o documento “mais completo”.
“Existe uma condição psicológica que está impedindo temporariamente determinada atividade”
Pode haver indicação de:
Atestado psicológico, desde que exista fundamentação técnica suficiente para sustentar a afirmação.
“O psiquiatra pediu informações sobre o acompanhamento”
Em muitos casos:
Relatório psicológico.
O conteúdo deve ser delimitado de acordo com a finalidade da comunicação.
“A escola quer informações sobre uma criança em acompanhamento”
Dependendo da finalidade, pode haver indicação de:
Relatório psicológico.
Isso não significa entregar todo o conteúdo registrado durante o acompanhamento.
O cuidado com sigilo continua existindo.
“O plano de saúde pediu informações para continuidade do atendimento”
Dependendo da solicitação e das informações que realmente precisam ser comunicadas:
Relatório psicológico pode ser uma possibilidade.
“Realizei uma avaliação neuropsicológica e preciso apresentar seus resultados”
Laudo psicológico.
“Um advogado pediu um laudo contando tudo o que aconteceu na terapia”
Primeiro é preciso compreender exatamente o que está sendo solicitado e para qual finalidade.
Uma psicoterapia não se transforma retroativamente em uma avaliação psicológica pericial apenas porque posteriormente surgiu uma demanda judicial.
O profissional precisa delimitar aquilo que possui condições técnicas e éticas de afirmar e escolher o documento compatível com o trabalho que efetivamente realizou.
“Preciso analisar tecnicamente o laudo produzido por outro psicólogo”
Quando houver competência técnica e a atividade estiver dentro da atuação profissional:
Parecer psicológico.
9. Escolheu o documento? Agora vem outra parte importante: estruturar corretamente
Depois de decidir qual modalidade utilizar, começa outra dificuldade bastante comum:
como transformar essa decisão em um documento bem estruturado?
É nesse momento que modelos podem ser muito úteis.
Uma declaração não tem a mesma estrutura de um laudo.
Um relatório não deveria ser simplesmente uma declaração mais longa.
E um parecer responde a uma lógica diferente da utilizada em um documento decorrente de avaliação psicológica.
Utilizar um modelo adequado ajuda a:
partir de uma estrutura compatível com o documento;
lembrar elementos importantes;
manter consistência entre documentos;
reduzir o trabalho repetitivo de formatação;
evitar começar sempre de uma página completamente em branco.
Mas existe uma distinção essencial:
modelo não é conteúdo pronto.
Ele organiza o caminho.
Quem decide o que pode e deve ser escrito continua sendo o psicólogo.
Essa é inclusive uma boa maneira de utilizar modelos na prática:

Primeiro escolha tecnicamente o documento → depois utilize o modelo para estruturar a escrita.
Nunca o contrário.
10. Antes de preencher qualquer modelo, entenda a solicitação
Antes de começar a escrever, esclareça:
quem solicitou o documento;
quem será o destinatário;
por que ele está sendo solicitado;
qual decisão ou necessidade ele deverá subsidiar;
quais informações realmente precisam ser apresentadas.
Isso ajuda a evitar documentos genéricos, excessivamente longos ou que exponham informações sem necessidade.
Também evita uma situação bastante comum:
a pessoa solicita “um laudo”, o psicólogo abre um modelo de laudo e começa a preenchê-lo antes de descobrir que uma simples declaração resolveria a demanda.
A estrutura deve servir à decisão técnica.
Não substituí-la.
11. Preciso colocar diagnóstico ou CID?
Não automaticamente.
A presença de diagnóstico ou código da Classificação Internacional de Doenças não é obrigatória em todo documento psicológico.
Sua inclusão depende de fatores como:
modalidade documental;
finalidade;
necessidade daquela informação;
fundamento técnico existente;
cuidados relacionados ao sigilo.
Na declaração, por exemplo, sintomas, situações ou estados psicológicos não devem ser apresentados.
Uma regra prática importante é:
não coloque uma informação clínica simplesmente porque o modelo possui espaço para preenchê-la.
O campo disponível não determina a necessidade da informação.
A finalidade do documento é que deve orientar essa escolha.
12. Um bom modelo não deve induzir o psicólogo a escrever mais do que precisa
Esse é um cuidado importante quando se fala em modelos de documentos.
Imagine um template com dezenas de campos obrigatórios.
O profissional pode começar a preencher tudo simplesmente porque os campos existem.
O resultado pode ser um documento maior, mais invasivo e menos adequado do que o necessário.
Por isso, modelos úteis precisam funcionar como estrutura de apoio, não como formulários que pensam pelo profissional.
Eles podem ajudar a lembrar uma organização esperada.
Mas devem continuar permitindo que o psicólogo adapte, exclua, desenvolva e revise o conteúdo segundo a finalidade real daquele documento.
Na Fluven, essa é a lógica dos modelos de declaração, atestado psicológico, relatório, laudo e parecer: você parte da estrutura correspondente ao documento escolhido e edita o conteúdo de acordo com o caso.
A plataforma ajuda a organizar a parte operacional.
A análise, a escrita e a responsabilidade técnica continuam sendo do psicólogo.
13. O documento precisa conversar com os seus registros profissionais
Existe uma etapa que às vezes fica esquecida quando o foco está apenas em “escrever o documento”.
Aquilo que será comunicado precisa estar apoiado no trabalho efetivamente realizado e nos registros profissionais pertinentes.
Pense em um relatório elaborado meses depois de diferentes sessões.
Se os registros do acompanhamento estão espalhados entre um caderno, arquivos no computador, mensagens e documentos em pastas diferentes, reconstruir o histórico pode se tornar mais difícil.
Quando prontuário e documentos ficam relacionados ao mesmo paciente, o processo tende a ser mais organizado:
registro do acompanhamento → elaboração do documento → documento emitido → histórico daquele paciente
Isso não significa copiar o prontuário para dentro do relatório.
São coisas diferentes.
O prontuário sustenta o histórico do trabalho.
O documento comunica somente o que é pertinente à sua finalidade.
Essa separação é importante.
14. Relatório e laudo exigem atenção à devolutiva
O processo não termina no momento em que o documento vira PDF.
Na entrega de relatório e laudo psicológico, a Resolução CFP nº 06/2019 prevê pelo menos uma entrevista devolutiva envolvendo pessoa, grupo, instituição ou responsáveis relacionados ao processo.
Quando essa devolutiva não puder acontecer, o motivo deve ser registrado.
Isso reforça uma ideia importante:
emitir um documento psicológico não é apenas produzir um arquivo.
Existe um processo profissional relacionado à elaboração, comunicação, entrega e registro.
15. Registre também a entrega
É recomendável manter informações que permitam saber:
qual documento foi produzido;
quando foi emitido;
para quem foi entregue;
como ocorreu essa entrega.
Em documentos digitais, o próprio fluxo eletrônico pode facilitar essa organização.
Em vez de ter:
prontuário em um sistema → documento no Word → PDF na pasta Downloads → assinatura em outro aplicativo → envio por e-mail → cópia em outra pasta
é possível manter as etapas mais próximas umas das outras.
Esse talvez seja um dos benefícios menos visíveis da digitalização:
não apenas produzir o documento mais rápido, mas conseguir recuperar depois o que foi produzido e a qual paciente aquele documento pertence.
16. Documentos psicológicos podem ter assinatura digital?
Sim.
O Manual Orientativo do CFP publicado em 2025 trata da assinatura eletrônica de documentos e aborda as normas aplicáveis ao tema.
O mecanismo utilizado precisa observar os requisitos legais pertinentes, especialmente em relação à autenticidade e integridade do documento.
Na prática, isso permite substituir processos como:
editar → imprimir → assinar à mão → escanear → transformar novamente em PDF → enviar
por um fluxo digital adequado.
E existe um ganho importante além da conveniência:
a assinatura deixa de ser uma etapa desconectada da elaboração do documento.
Na Fluven, o profissional pode elaborar o documento a partir do modelo, revisar o conteúdo e realizar a assinatura digital dentro do próprio fluxo da plataforma.
Quando houver documentos que também precisem da assinatura eletrônica de pacientes ou outras pessoas, a Fluven permite enviá-los para esses assinantes.
O objetivo não é eliminar a revisão profissional.
É eliminar etapas operacionais que não acrescentam qualidade técnica ao documento.
17. O fluxo ideal não termina na assinatura
Imagine duas formas de trabalhar.

É aqui que a tecnologia realmente começa a fazer sentido.
Não porque “escreve pelo psicólogo”.
Mas porque diminui a quantidade de pequenas tarefas ao redor de uma atividade que já exige atenção técnica.
18. Modelos ajudam — desde que continuem sendo modelos
Vale reforçar.
Ter acesso a um modelo de laudo não significa possuir automaticamente os elementos necessários para emitir um laudo.
Ter um modelo de atestado não significa que qualquer acompanhamento sustenta aquilo que será atestado.
Ter um campo para diagnóstico não significa que o diagnóstico precisa aparecer.
Um documento psicológico de qualidade precisa deixar claro, conforme a modalidade:
por que foi produzido;
qual demanda está sendo respondida;
quais informações sustentam sua elaboração;
o que foi efetivamente realizado;
quais conclusões podem ser tecnicamente sustentadas;
quais informações são necessárias para aquela finalidade.
O modelo ajuda com a estrutura.
O conteúdo exige julgamento profissional.
Essa distinção também é importante para avaliar qualquer ferramenta utilizada para produzir documentos psicológicos.
Desconfie de uma solução que trate documentos técnicos como textos genéricos que podem ser emitidos automaticamente sem análise.
O trabalho documental faz parte da prática profissional.
A tecnologia deve organizar esse trabalho.
Não substituí-lo.
19. Como a Fluven organiza esse processo

É nesse ponto que a Fluven entra.
Não para decidir se seu paciente precisa de uma declaração ou de um atestado.
Não para concluir uma avaliação psicológica por você.
E não para transformar um modelo em documento válido apenas porque alguns campos foram preenchidos.
A função da plataforma é organizar o processo que acontece depois da sua decisão profissional.
Na prática, o fluxo pode ser:
1. Escolha o documento adequado
Declaração, atestado psicológico, relatório, laudo ou parecer.
2. Parta de um modelo correspondente
Em vez de procurar arquivos antigos, copiar documentos anteriores ou começar novamente do zero, você utiliza uma estrutura pronta como ponto de partida.
3. Adapte ao caso
Revise cada informação e escreva aquilo que efetivamente pode ser sustentado naquele contexto.
4. Revise
Confira finalidade, linguagem, informações apresentadas, identificação e demais elementos necessários antes de emitir.
5. Assine digitalmente
O documento pode ser assinado dentro do próprio fluxo, sem precisar imprimir e escanear.
6. Envie para outras assinaturas quando necessário
Nos documentos em que houver necessidade de assinatura de paciente ou de outras pessoas, o fluxo de assinatura também pode acontecer eletronicamente.
7. Mantenha o documento junto ao histórico daquele paciente
Depois de emitido, o documento fica relacionado ao prontuário do paciente, em vez de virar mais um arquivo perdido entre pastas e aplicativos diferentes.
A lógica é simples:
a Fluven organiza a estrutura e o fluxo.
O psicólogo continua responsável pela decisão e pelo conteúdo.
20. Checklist antes de emitir qualquer documento psicológico
Antes de finalizar, confira:
Sobre a finalidade
Sei exatamente por que este documento está sendo produzido?
Sei quem irá recebê-lo?
Escolhi a modalidade adequada para essa finalidade?
Sobre o conteúdo
Tenho fundamento para aquilo que estou afirmando?
Incluí somente as informações necessárias?
Existe algum conteúdo íntimo que poderia ser retirado sem prejudicar a finalidade?
Diferenciei informações relatadas de conclusões profissionais?
O documento é compatível com meus registros?
Sobre a modalidade
A estrutura corresponde ao tipo de documento?
Estou usando um relatório onde deveria ser um laudo ou vice-versa?
Estou colocando conteúdo clínico em uma declaração?
Existe realmente fundamento de avaliação para aquilo que está sendo atestado?
Sobre a finalização
Nome, CRP, local e data estão corretos?
A assinatura está correta?
Preciso indicar prazo de validade?
A entrega será registrada?
Se for relatório ou laudo, a devolutiva foi organizada?
Uma cópia ficará adequadamente relacionada aos registros daquele paciente?
Esse checklist provavelmente evita mais problemas do que simplesmente guardar cinco arquivos chamados:
“MODELO LAUDO FINAL.docx”
“MODELO LAUDO FINAL 2.docx”
“MODELO LAUDO NOVO.docx”
“MODELO LAUDO NOVO CERTO.docx”
e
“MODELO LAUDO AGORA VAI.docx”.
Afinal, qual documento psicológico usar?
Em vez de decorar cinco definições, pense na pergunta que precisa ser respondida.
Declaração
“Essa pessoa compareceu ou está em acompanhamento?”
Atestado psicológico
“Existe uma condição psicológica efetivamente avaliada que precisa ser certificada para determinada finalidade?”
Relatório psicológico
“O que precisa ser comunicado sobre o trabalho psicológico realizado?”
Laudo psicológico
“O que este processo de avaliação psicológica permite analisar e concluir?”
Parecer psicológico
“Qual é a análise técnica desta questão ou deste documento?”
Quando essas diferenças ficam claras, escolher entre relatório, laudo, atestado, declaração e parecer deixa de ser uma disputa entre cinco arquivos parecidos.
Passa a ser uma decisão técnica:
o que precisa ser comunicado → para quem → por quê → com qual fundamentação.
Só depois entra a ferramenta.
E é justamente aí que um bom sistema pode tirar peso da rotina.
Você não precisa reconstruir a formatação toda vez.
Não precisa espalhar documentos entre Word, PDF, pastas e aplicativos de assinatura.
Na Fluven, você encontra modelos para essas modalidades documentais, adapta o conteúdo ao caso, assina digitalmente e mantém o documento relacionado ao prontuário do paciente.
Menos tempo administrando arquivos.
Mais atenção ao que realmente exige seu julgamento profissional.
Referências
CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Resolução CFP nº 06/2019. Institui regras para a elaboração de documentos escritos produzidos pela psicóloga e pelo psicólogo no exercício profissional e disciplina declaração, atestado psicológico, relatório, laudo e parecer.
Consultar a Resolução CFP nº 06/2019
CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Manual Orientativo de Registro e Elaboração de Documentos Psicológicos. Brasília: CFP, 2025. O manual reúne orientações atualizadas, exemplos e dúvidas frequentes sobre as diferentes modalidades de documentos psicológicos.
Acessar o Manual Orientativo do CFP
CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Resolução CFP nº 31/2022. Estabelece diretrizes para a realização de Avaliação Psicológica no exercício profissional e regulamenta o Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos — SATEPSI.
CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Cartilha Avaliação Psicológica 2022. 2ª edição. Material de orientação ética, teórica e metodológica sobre avaliação psicológica.
Consultar a Cartilha de Avaliação Psicológica
BRASIL. Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001. Institui a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira — ICP-Brasil.
BRASIL. Lei nº 14.063, de 23 de setembro de 2020. Dispõe sobre o uso de assinaturas eletrônicas em interações com entes públicos e em atos de pessoas jurídicas.

Sirlene Xavier
Psicóloga clínica
Psicóloga pós-graduada em Terapia Cognitivo-Comportamental e CEO da Fluven