Carreira
Marketing para psicólogos: como conseguir pacientes com ética

Sirlene Xavier
Psicóloga clínica
·

Para muitos psicólogos, a parte mais desconfortável de começar no consultório não é atender. É fazer com que alguém descubra que aquele atendimento existe.
Surge então um impasse: você precisa divulgar seu trabalho, mas não quer transformar Psicologia em promessa de cura, fazer conteúdo apelativo ou passar a impressão de que está “vendendo terapia”.
A boa notícia é que marketing e ética não são incompatíveis.
O Conselho Federal de Psicologia permite expressamente a divulgação de serviços psicológicos e reconhece as redes sociais como possíveis meios para essa divulgação. O Código de Ética e a Nota Técnica CFP nº 1/2022 estabelecem, porém, limites para a forma como isso é feito.
Na prática, o desafio é aprender a comunicar bem o seu trabalho sem prometer aquilo que a Psicologia não pode prometer e sem explorar a vulnerabilidade de quem está procurando ajuda.
E isso é perfeitamente possível.
Este guia vai mostrar como.
Psicólogo pode fazer marketing?
Pode.
O Código de Ética não proíbe psicólogos de divulgar seus serviços. Ao contrário, o próprio CFP reconhece a importância da comunicação profissional e da ampliação do acesso da população ao conhecimento e aos serviços psicológicos.
Há, entretanto, algumas regras importantes.
Ao promover publicamente seus serviços, o psicólogo deve informar seu nome completo, CRP e número de registro; divulgar apenas qualificações que realmente possua e técnicas ou práticas reconhecidas ou regulamentadas pela profissão; não utilizar o preço como forma de propaganda; não prometer resultados; não se promover depreciando outros profissionais; e não fazer publicidade sensacionalista.
Isso vale para um site, Instagram, Google, anúncios pagos, cartão de visita ou qualquer outro meio de divulgação.
E há um detalhe importante: contratar uma agência, social media ou gestor de tráfego não transfere essa responsabilidade. A Nota Técnica CFP nº 1/2022 estabelece que continua cabendo ao psicólogo verificar se a publicidade produzida por terceiros está de acordo com as normas profissionais.
Portanto, não existe um problema em “fazer marketing”.
O problema está em como o marketing é feito.
Marketing ético não precisa ser marketing genérico
É comum que, com medo de infringir alguma regra, o psicólogo vá para o outro extremo.
A bio fica assim:
Psicóloga clínica.
Atendimento humanizado.
Online e presencial.
Agendamentos pelo link.
Tecnicamente, há pouca coisa errada nisso.
O problema é que também há pouca coisa que ajude alguém a decidir se aquele profissional faz sentido para ela.
Imagine uma pessoa procurando terapia porque está constantemente preocupada, exausta e se cobrando demais. Ela abre dez perfis e encontra dez descrições praticamente iguais.
Como escolher?
Ser ético não significa esconder aquilo que diferencia o seu trabalho.
A própria Nota Técnica do CFP afirma que psicólogos podem divulgar informações como formação, público atendido, abordagem teórica, metodologia de trabalho e outras características técnicas da atuação profissional.
É justamente aí que começa um bom posicionamento.
Antes de pensar em Instagram, defina por que alguém escolheria você
Um erro comum é começar o marketing pelo canal:
“Preciso postar três vezes por semana.”
“Preciso fazer Reels.”
“Preciso anunciar.”
Mas o canal não resolve uma comunicação que ainda não está clara.
Antes disso, você deveria conseguir responder, em poucas frases:
Quem eu atendo?
Quais tipos de dificuldade aparecem com frequência no meu trabalho?
Como trabalho?
O que uma pessoa precisa saber antes de decidir entrar em contato comigo?
Não significa criar um “nicho” artificial ou decidir que você só atenderá uma demanda pelo resto da carreira.
Significa facilitar para quem chega entender seu trabalho.
Compare:
Psicoterapia para adultos. Atendimento online.
com:
Psicoterapia para adultos que convivem com ansiedade, autocobrança e dificuldade de encontrar equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. Atendimento online.
A segunda mensagem não promete cura.
Não garante resultado.
Não afirma ser “a melhor terapia”.
Ela apenas permite que algumas pessoas se reconheçam.
E marketing para psicólogos começa muito mais por ser compreendido pela pessoa certa do que por atingir o maior número possível de pessoas.
Como alguém escolhe um psicólogo na prática?
Raramente uma pessoa vê um único post no Instagram e imediatamente inicia terapia.
O caminho costuma ser mais parecido com isto:

Por isso, conseguir pacientes não depende apenas de “ter alcance”.
É preciso trabalhar três coisas:
ser encontrado, transmitir confiança e facilitar o próximo passo.
Essa lógica muda bastante a estratégia.
Um Reel com 100 mil visualizações pode gerar menos pacientes do que uma página encontrada no Google por 200 pessoas que estavam procurando exatamente por aquele tipo de atendimento.
1. Tenha um site antes de depender completamente das redes sociais
Para um psicólogo que pretende construir uma prática particular de longo prazo, um site próprio é um dos ativos de marketing mais úteis.
O Instagram pode ajudar alguém a conhecer você.
O site ajuda essa pessoa a entender você.
Uma boa página profissional deveria responder rapidamente:
Pergunta de quem chegou | O que seu site precisa mostrar |
|---|---|
Você atende pessoas como eu? | público e principais demandas atendidas |
Como funciona seu trabalho? | modalidade, abordagem e explicação simples do processo |
Você parece alguém com quem eu conseguiria conversar? | apresentação pessoal e forma de trabalhar |
Você tem formação para isso? | formação e qualificações reais |
Onde atende? | cidade, endereço quando pertinente e atendimento online |
Como começo? | botão claro de contato ou agendamento |
Você é realmente psicólogo? | nome completo e CRP |
O site não precisa ser enorme.
Para começar, uma boa página inicial, uma página “sobre”, informações sobre atendimento e uma forma simples de contato já resolvem boa parte do problema.
Depois, você pode acrescentar artigos e páginas específicas para as principais demandas que atende.
2. Use o Google para aparecer quando alguém já está procurando terapia
Existe uma diferença importante entre alguém vendo um conteúdo enquanto passa o tempo no Instagram e alguém pesquisando:
“psicóloga ansiedade Belo Horizonte”
ou
“terapia online para ansiedade”
Na segunda situação, a intenção já existe.
É por isso que Google e SEO podem ser especialmente interessantes para psicólogos.
Em vez de tentar convencer alguém de que terapia existe, você aparece justamente quando a pessoa está procurando.
Se você atende presencialmente, um Perfil da Empresa no Google também pode ajudar na busca local. Pelas regras atuais do Google, profissionais liberais que lidam diretamente com clientes e podem ser encontrados em um local verificado podem ter perfil próprio. Negócios exclusivamente online, entretanto, não se qualificam para o Perfil da Empresa.
O que trabalhar no site para aparecer nessas buscas?
Imagine uma psicóloga em Curitiba que atende adultos com ansiedade e burnout.
Em vez de ter apenas uma página chamada “Serviços”, ela poderia desenvolver conteúdos realmente úteis sobre questões que seu público pesquisa:
Psicoterapia para ansiedade: como funciona?
Ansiedade no trabalho: quando procurar ajuda?
Burnout ou cansaço? Entenda as diferenças
Como funciona a primeira sessão de terapia
Terapia online funciona?
Esses artigos não precisam terminar todos com “agende agora”.
Eles precisam responder bem à pergunta.
Quando isso acontece repetidamente, o próprio conteúdo começa a construir autoridade.
3. Não escreva artigos apenas para o Google
Existe uma diferença enorme entre conteúdo escrito para ocupar uma posição nos resultados de busca e conteúdo escrito para ajudar alguém.
Um artigo chamado:
“10 sintomas de ansiedade que você precisa conhecer”
pode receber visitas.
Mas dificilmente mostra muito sobre como você pensa ou trabalha.
Já um artigo como:
“Quando a preocupação deixa de ser apenas preocupação e começa a atrapalhar sua vida?”
permite explicar o problema com mais nuance.
Outro exemplo:
Em vez de simplesmente publicar:
“5 dicas para diminuir a ansiedade”
você pode escrever:
“Por que tentar controlar a ansiedade o tempo inteiro às vezes faz ela aumentar?”
O segundo conteúdo começa a mostrar raciocínio clínico.
E esse é um ponto importante: o melhor conteúdo para um psicólogo não é necessariamente aquele que oferece a maior quantidade de “dicas”.
É aquele que ajuda a pessoa a compreender melhor aquilo que está vivendo.
4. Instagram funciona melhor como construção de confiança do que como panfleto
O Instagram pode funcionar muito bem para psicólogos.
Mas não porque você precise publicar frases motivacionais todos os dias.
Ele funciona porque permite que alguém tenha contato repetido com a forma como você pensa, explica e se comunica.
Uma pessoa talvez acompanhe seus conteúdos por semanas antes de enviar uma mensagem.
Por isso, vale pensar menos em:
“O que preciso postar hoje?”
e mais em:
“Que perguntas alguém que poderia se beneficiar do meu trabalho costuma ter?”
Você pode explicar, por exemplo, como funciona a primeira sessão, falar sobre medos comuns antes de começar terapia, aprofundar conceitos psicológicos, discutir comportamentos comuns relacionados às demandas com que trabalha ou mostrar como determinado problema costuma aparecer no cotidiano.
O CFP orienta que os conteúdos divulgados sejam coerentes com a ciência psicológica e que o profissional analise criticamente aquilo que publica, considerando inclusive o alcance potencial e a permanência das informações nas redes.
Isso não impede uma linguagem simples.
Na verdade, explicar Psicologia de maneira compreensível costuma ser muito mais útil do que transformar o Instagram em uma extensão de um artigo acadêmico.
5. Você não precisa ensinar tudo em formato de “dica”
Uma das tendências mais comuns no conteúdo de saúde mental é:
“Faça estas três coisas quando estiver ansioso.”
“Cinco formas de melhorar sua autoestima.”
“Use esta técnica para acabar com pensamentos negativos.”
Além do risco de simplificar problemas complexos, isso pode transmitir uma ideia estranha: de que qualquer sofrimento tem uma solução rápida disponível em um carrossel.
É possível fazer conteúdo útil sem transformar Psicologia em receita.
Por exemplo:
“Algumas pessoas chegam à terapia dizendo que precisam aprender a dizer não. Mas, muitas vezes, saber dizer não não é o problema. Elas sabem o que gostariam de dizer. O difícil é lidar com a culpa, o medo de decepcionar ou a possibilidade de conflito que aparece depois.”
Isso ensina alguma coisa.
Mas não promete resolver o problema em 30 segundos.
Também mostra como aquele profissional pensa.
6. Fale sobre problemas, não apenas sobre diagnósticos
Pessoas nem sempre procuram:
“tratamento para transtorno de ansiedade generalizada”.
Elas procuram:
“não consigo parar de pensar”
“tenho medo de decepcionar todo mundo”
“não consigo descansar sem me sentir culpado”
“trabalho o dia inteiro e sinto que nunca é suficiente”
Um posicionamento construído apenas em torno de diagnósticos perde parte dessa linguagem real.
Você pode continuar informando as áreas em que atua, mas comunicar também as experiências que levam alguém a procurar ajuda.
Isso torna a comunicação mais próxima sem precisar dramatizar sofrimento.
7. Promessa de resultado é um limite importante
Aqui existe uma diferença entre explicar para que serve um processo terapêutico e garantir o que acontecerá com determinada pessoa.
O Código de Ética veda previsões taxativas de resultados na publicidade profissional.
Por exemplo:
❌ “Livre-se da ansiedade definitivamente.”
❌ “Supere seus traumas em 10 sessões.”
❌ “Aprenda a nunca mais depender emocionalmente de ninguém.”
Além de publicitariamente exageradas, essas frases tratam resultados clínicos como se fossem garantidos.
Compare com:
“A psicoterapia pode ajudar você a compreender como a ansiedade tem interferido na sua vida e a desenvolver novas formas de lidar com essas situações.”
Ou:
“No processo terapêutico, podemos investigar os padrões que vêm dificultando seus relacionamentos e construir alternativas mais alinhadas ao que é importante para você.”
Aqui existe uma proposta de trabalho.
Não uma garantia.
8. Cuidado ao usar títulos profissionais
Outra estratégia comum de marketing é tentar aumentar autoridade acumulando títulos na bio.
Mas o Código de Ética determina que sejam divulgados apenas títulos e qualificações que o profissional efetivamente possua.
Vale especialmente atenção ao uso de termos como “especialista”.
Ter experiência em determinado tema, fazer cursos sobre ele ou atender frequentemente aquela demanda não significa necessariamente possuir um título profissional de especialista registrado nos termos do Sistema Conselhos.
Isso não impede que você diga:
“Atendo principalmente adultos com ansiedade e dificuldades relacionadas ao trabalho.”
É diferente de apresentar uma titulação que você não possui.
9. Preço: onde muitos psicólogos erram na divulgação
O problema não é cobrar pelo trabalho.
O próprio Código de Ética estabelece critérios para a definição dos honorários e determina que o valor seja informado à pessoa antes do início do trabalho.
A restrição aparece quando o preço é transformado em instrumento de propaganda.
A Nota Técnica CFP nº 1/2022 orienta que o profissional evite expressões como “preço social”, “atendimento social”, “desconto”, “pacote promocional”, “valor acessível”, além de cupons e sorteios associados ao serviço psicológico.
Um Conselho Regional também orienta que preços e condições contratuais sejam tratados em espaço reservado com a pessoa interessada, e não utilizados como chamariz publicitário.
Portanto:
❌ “Últimas 3 vagas de terapia por apenas R$ 79. Aproveite!”
é muito diferente de informar a uma pessoa que entrou em contato quais são seus honorários e condições de atendimento.
Se você mantém valores diferenciados conforme condições socioeconômicas, isso pode fazer parte da organização do consultório. O cuidado está em não transformar a vantagem financeira no argumento de captação.
10. E depoimentos de pacientes?
Esse é um recurso extremamente comum em marketing digital.
Academias, restaurantes, softwares e cursos exibem avaliações o tempo inteiro.
Na Psicologia, a situação é diferente.
A Nota Técnica CFP nº 1/2022 traz uma orientação bastante cautelosa sobre fotos e depoimentos de pessoas atendidas. O documento registra que, com consentimento expresso por escrito, seu uso pode ocorrer, mas não é recomendado, justamente pelo risco de exposição da pessoa atendida e do sigilo profissional.
Há ainda um problema que vai além da norma.
A relação terapêutica envolve assimetria e informações íntimas.
Por isso, mesmo quando uma paciente espontaneamente manda:
“A terapia mudou minha vida, pode postar!”
não é preciso transformar isso em peça de publicidade.
Na prática, para um consultório psicológico, existem formas melhores de construir confiança: formação, conteúdo de qualidade, clareza sobre a forma de trabalhar e uma presença profissional consistente.
Você não precisa provar competência expondo quem foi atendido.
11. Nunca transforme um caso clínico em conteúdo identificável
“Mas eu tirei o nome.”
Isso nem sempre basta.
Imagine um conteúdo assim:
“Atendi recentemente uma médica de 37 anos, mãe de gêmeos, que havia acabado de se divorciar depois de descobrir uma traição…”
Dependendo do contexto, aquela pessoa — e pessoas próximas — podem facilmente reconhecê-la.
O Código de Ética estabelece o dever de sigilo e proíbe a divulgação de diagnósticos, procedimentos ou resultados de serviços psicológicos de forma que exponha pessoas, grupos ou organizações. A Nota Técnica sobre redes sociais reforça esse cuidado especificamente na publicidade profissional.
Quando quiser ensinar a partir de situações clínicas, prefira construir exemplos fictícios ou compostos, sem reproduzir a história de uma pessoa atendida.
12. Indicação profissional continua sendo um dos melhores canais
Nem todo marketing acontece publicamente.
Para muitos psicólogos, uma parcela importante dos novos pacientes chega por indicação.
E isso pode ser desenvolvido de maneira bastante natural.
Colegas precisam saber:
quem você atende, quais demandas costuma acompanhar, se atende online ou presencialmente e como entrar em contato.
Ter uma rede profissional de confiança com psiquiatras, nutricionistas, médicos, psicólogos de outras áreas e outros profissionais pode facilitar encaminhamentos adequados.
O que não deve existir é uma relação financeira por esses encaminhamentos.
O Código de Ética veda receber ou pagar remuneração ou porcentagem por encaminhamento de serviços.
Uma boa rede de referência funciona porque os profissionais confiam no trabalho uns dos outros — não porque existe comissão.
13. Anúncios pagos podem ser usados por psicólogos?
Sim, desde que a própria publicidade esteja de acordo com as normas éticas.
O CFP não restringe a divulgação profissional apenas a canais orgânicos. Em publicação recente sobre psicoterapia, o próprio Conselho reconhece que as redes sociais podem ser aliadas a anúncios pagos e patrocinados, mantendo como referência as regras éticas da publicidade profissional.
Na prática, anúncio pago não deveria mudar o que você diz.
Ele muda principalmente quantas pessoas verão aquilo.
Um anúncio como:
Psicoterapia online para adultos
Atendimento psicológico para pessoas que enfrentam ansiedade, autocobrança e dificuldades relacionadas ao trabalho. Saiba como funciona o processo.
é muito diferente de:
Sofrendo com ansiedade? Não aguenta mais? Eu tenho a solução. Agende agora e mude sua vida.
O segundo usa sofrimento e promessa como mecanismo de pressão.
O primeiro apresenta um serviço.
Essa diferença é um bom princípio para avaliar campanhas.
14. Não tente estar em todos os canais
Para um psicólogo sozinho, tentar manter Instagram, TikTok, YouTube, blog, newsletter, LinkedIn, Threads e anúncios ao mesmo tempo costuma produzir uma rotina insustentável.
É melhor construir um sistema pequeno e consistente.
Uma combinação bastante sólida para um consultório particular pode ser:
site próprio + Google/SEO + rede de indicações + uma rede social que o profissional realmente consiga manter.
Se atende presencialmente e se qualifica pelas regras do Google, acrescente um Perfil da Empresa.
Se houver orçamento e uma boa página de destino, anúncios podem acelerar a descoberta do consultório.
O que não é necessário é transformar o psicólogo em criador de conteúdo em tempo integral.
O objetivo continua sendo atender — não alimentar algoritmos.
15. O que colocar na bio do Instagram de um psicólogo?
A bio não precisa ser criativa.
Precisa ser clara.
Um exemplo:
Marina Souza | Psicóloga
CRP 00/00000
Psicoterapia para adultos
Ansiedade, autocobrança e relações
Online e presencial em Curitiba
↓ Saiba como funciona
Outra possibilidade:
João Pereira | Psicólogo — CRP 00/00000
Psicoterapia para adultos
Terapia Cognitivo-Comportamental
Atendimento online
Informações e contato ↓
Observe que nenhuma delas diz:
“Transformo vidas.”
“Especialista em fazer você feliz.”
“Curo ansiedade.”
“Melhor psicóloga de Curitiba.”
É perfeitamente possível ser específico sem recorrer a exageros.
16. Como pode ser a primeira seção do site
O mesmo princípio vale para a página profissional.
Em vez de abrir o site com:
Transforme sua vida através da terapia
você poderia usar:
Psicoterapia para adultos que sentem que estão sempre tentando dar conta de tudo.
Atendimento online para questões relacionadas à ansiedade, autocobrança, esgotamento e relacionamentos.
Conheça como funciona
Ou:
Psicoterapia online e presencial em Belo Horizonte
Um espaço para compreender padrões que vêm trazendo sofrimento e construir formas mais flexíveis de lidar com eles.
Sobre o atendimento
A comunicação continua atraente.
Só não promete um resultado impossível de garantir.
17. A melhor chamada para ação nem sempre é “agende sua sessão”
Muita gente ainda não está pronta para marcar uma sessão quando chega ao seu perfil.
Pode estar apenas tentando entender como funciona.
Em vez de usar sempre:
AGENDE AGORA
você pode testar chamadas como:
Entenda como funciona o atendimento
Conheça meu trabalho
Tire suas dúvidas sobre a primeira sessão
Entre em contato
Veja como funciona a psicoterapia
Isso reduz pressão e combina melhor com uma decisão que, para muitas pessoas, envolve vulnerabilidade, dinheiro e confiança.
18. O conteúdo que traz pacientes nem sempre é o que traz mais seguidores
Este ponto é importante principalmente para quem começa a produzir conteúdo.
Uma publicação sobre:
“7 sinais de uma pessoa manipuladora”
provavelmente tem mais potencial de compartilhamento do que:
“O que acontece na primeira sessão de terapia?”
Mas alguém procurando um psicólogo talvez esteja muito mais interessado na segunda.
Métricas de redes sociais e resultado para o consultório são coisas diferentes.
Mil curtidas não significam mil pessoas interessadas em atendimento.
Por isso, acompanhe também coisas mais próximas do objetivo real:
quantas pessoas visitaram seu site → quantas entraram em contato → de onde vieram → quantas tinham perfil compatível → quantas iniciaram atendimento.
É assim que você começa a descobrir quais canais realmente funcionam para o seu consultório.
19. Um plano simples para quem está começando do zero
Você não precisa esperar ter uma identidade visual perfeita ou cem posts publicados.
Comece pela base.
Na primeira etapa, defina sua apresentação profissional: público atendido, principais demandas, abordagem, modalidade e cidade quando houver atendimento presencial.
Depois, crie uma página profissional simples e completa.
Em seguida, facilite o contato. Não faça alguém encontrar você no Google, entrar no Instagram, procurar um destaque, abrir outro aplicativo e só então descobrir como marcar uma conversa.
Depois disso, escolha um canal de descoberta.
Pode ser conteúdo no Instagram.
Pode ser Google.
Pode ser networking profissional.
Pode ser anúncio.
O importante é conseguir observar de onde as pessoas estão vindo.
Só então expanda.
Marketing fica muito mais fácil quando deixa de ser uma coleção de tarefas aleatórias e passa a ser um processo:
ser encontrado → ser compreendido → gerar confiança → facilitar o contato.
20. Checklist de marketing ético para psicólogos
Antes de publicar uma página, post ou anúncio profissional, vale conferir:
Meu nome completo, identificação como psicóloga(o) e CRP estão acessíveis na divulgação profissional?
Estou mencionando apenas formações e qualificações que realmente possuo?
As técnicas, práticas e serviços que divulgo têm respaldo profissional?
Estou explicando o serviço ou prometendo resultado?
Há algum termo sensacionalista ou que explora o sofrimento da pessoa?
Estou usando preço, desconto, “vaga social”, promoção, sorteio ou vantagem financeira como chamariz?
Estou expondo direta ou indiretamente alguma pessoa atendida?
Estou usando depoimento de paciente como prova da minha competência?
O conteúdo poderia ser confundido com diagnóstico ou orientação individual para uma pessoa específica?
Estou depreciando outros profissionais ou abordagens para me destacar?
Existe alguma comissão ou benefício financeiro relacionado a encaminhamentos?
Se outra pessoa produziu o conteúdo para mim, eu o revisei à luz das normas da Psicologia?
Minha comunicação explica com clareza quem eu atendo e como funciona meu trabalho?
Existe um próximo passo simples para quem quiser saber mais?
Se a comunicação passa por essas perguntas e continua clara e convincente, você provavelmente está no caminho certo.
Marketing ético não é convencer alguém de que precisa de terapia
Talvez essa seja a distinção mais importante de todo este artigo.
Marketing ruim tenta criar urgência:
“Você precisa resolver isso agora.”
Marketing ético torna uma escolha possível:
“Este é o trabalho que eu faço. É assim que funciona. Se isso fizer sentido para você, aqui está uma forma de conversar comigo.”
Você não precisa transformar sofrimento em gatilho de venda.
Também não precisa esconder seu trabalho.
É possível apresentar sua formação, explicar as demandas que atende, compartilhar conhecimento psicológico de qualidade, mostrar sua forma de trabalhar e facilitar o acesso ao serviço.
Na verdade, quanto mais clara for essa comunicação, menor a chance de chegar até você alguém esperando algo completamente diferente do que você oferece.
No fim, o objetivo não é ter mais seguidores. É ser encontrado pelas pessoas certas.
Construir um consultório sustentável dificilmente acontece por causa de um único post viral.
Acontece quando várias pequenas coisas começam a funcionar juntas.
Uma pessoa encontra um artigo seu no Google.
Outra recebe seu nome de um colega.
Outra acompanha alguns conteúdos no Instagram.
Elas chegam ao site, entendem como você trabalha, encontram informações claras e conseguem entrar em contato sem dificuldade.
É menos espetacular do que a promessa de “lotar a agenda em 30 dias”.
Mas é muito mais próximo da forma como uma prática profissional sólida é construída.
E talvez exista uma boa síntese para marketing na Psicologia:
Não é preciso convencer todo mundo a escolher você. É preciso ajudar quem pode se beneficiar do seu trabalho a encontrar, compreender e avaliar esse trabalho com clareza.
Como a Fluven pode ajudar nessa jornada
Conseguir pacientes é apenas uma parte da construção do consultório. Conforme a agenda cresce, começam a aparecer outras demandas: organizar horários, confirmar sessões, manter registros, acompanhar pagamentos e responder às tarefas administrativas que surgem entre um atendimento e outro.
A Fluven foi criada para reunir essa rotina em um só lugar, ajudando psicólogos a manter o consultório organizado sem transformar o trabalho clínico em uma coleção de planilhas, agendas e lembretes espalhados.
Referências
CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Código de Ética Profissional do Psicólogo — Resolução CFP nº 010/2005. Em especial, arts. 2º, 4º, 9º, 19 e 20.
Código de Ética Profissional do Psicólogo — CFP
CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Nota Técnica CFP nº 01/2022 — Uso Profissional das Redes Sociais: Publicidade e Cuidados Éticos.
Nota Técnica CFP nº 01/2022
CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Resolução CFP nº 13/2022 — Diretrizes e deveres para o exercício da Psicoterapia por psicólogas e psicólogos.
Resolução sobre Psicoterapia — CFP
CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Psicoterapia: referências para a atuação de psicólogas e psicólogos, publicação com orientações sobre uso profissional das redes sociais e publicidade.
CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA DA 12ª REGIÃO. Honorários — orientações sobre remuneração e publicidade profissional.
GOOGLE. Diretrizes para representar sua empresa no Google e Crie seu Perfil da Empresa no Google, consultadas para as orientações referentes ao Perfil da Empresa e profissionais liberais.

Sirlene Xavier
Psicóloga clínica
Psicóloga pós-graduada em Terapia Cognitivo-Comportamental e CEO da Fluven